A produção de petróleo no pré-sal, na Bacia de Santos, cresce em alta velocidade. Em 3/12/2019, o jornal Valor Econômico divulgou que a produção de petróleo no país subiu 13,4%, em outubro de 2019.

Como a extração de petróleo na Bacia de Santos ocorre hegemonicamente em frente ao litoral fluminense, entre janeiro e setembro de 2019, o estado do Rio de Janeiro-ERJ apresentou um crescimento da indústria extrativa mineral de 10,3%, contra uma queda no total do Brasil de 8,8%.

No entanto, não devemos nos iludir e achar novamente, como fizemos no início dos anos 2010, que o ERJ está vivendo um boom, um momento mágico, a hora da virada…

Exclusivamente a indústria extrativa mineral – no caso do ERJ, sobretudo a extração de petróleo – não alavanca per se o conjunto da economia fluminense. Isto principalmente pelo fato de que em torno de 80% dos fornecedores da Petrobras estão fora do ERJ, que praticamente não se beneficia da receita de ICMS sobre a extração de petróleo.

Confirmando isso, vemos que, entre janeiro e setembro de 2019, no total da indústria de transformação, ocorreu uma queda, no ERJ, de 4,4%, contra uma queda no total do país de apenas 0,1%.

Além disso, após o ERJ perder – desde o início da crise econômica e política brasileira em janeiro de 2015 – 15,8% do total de postos de trabalho com carteira assinada, contra uma perda no país de 5,1%; em outubro de 2019, o ERJ voltou a apresentar uma queda de 0,3% dos empregos com carteira assinada, contra um crescimento de 0,2% dos empregos no total do país.

É necessário, portanto, definir uma agenda para o ERJ, em que se discuta o pacto federativo tributário e as atividades indutoras que podem levar de fato o estado a sair de décadas de círculo vicioso, constituindo um novo círculo virtuoso, com crescimento, distribuição de renda e melhoria dos serviços públicos.

Por Mauro Osorio